Por Luiz Henrique Nuñez de Oliveira
Administrador de Empresas
Conselheiro do Sport Club Internacional desde 2002
Que o futebol brasileiro carece de uma administração mais profissional, a maioria já sabe. Aliás, este é um dos pilares do Plano de Gestão do Convergência – Clube Democrático, Gestão Profissional e Futebol Campeão. Mesmo que na teoria exista um consenso quanto à necessidade de profissionalização dos clubes, o que vemos na prática ainda está muito distante da verdadeira gestão profissional, baseada nas melhores práticas de Governança Corporativa.
Governança Corporativa é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas e monitoradas, envolvendo os relacionamentos entre proprietários, Conselho de Administração, Diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de Governança Corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de aumentar o valor da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para sua preservação. São básicos ainda, os aspectos relacionados à transparência, a equidade, a prestação de contas e a responsabilidade.
O futebol brasileiro vem mudando nos últimos anos. Não raro encontramos clubes com orçamentos superiores a 250 milhões de reais anuais. E a tendência é aumentar ainda mais, com os novos contratos de TV, com os novos patrocínios e com a proximidade da Copa do Mundo em nosso país. Como se manter competitivo no mercado da bola em franca expansão? Já dizia Ferran Soriano, o homem que transformou o Barcelona, que “A bola não entra por acaso”.
Os clubes deveriam ser administrados como empresas. Os sócios e torcedores deveriam ser encarados como clientes. Entretanto, a realidade econômica financeira, a pressão por vitórias no campo e muitas vezes a má gestão, têm acarretado aos clubes um descrédito muito grande. Este não é o caso do Internacional. Os avanços são notórios e os resultados obtidos são evidentes, tanto dentro como fora dos gramados. Mas, para que estas conquistas continuem, é preciso avançar. Ano passado nosso presidente tomou a iniciativa de contratar um CEO. O profissional, de reconhecida competência, trabalhou por poucos meses e pediu demissão. Não se sabe se o clube não se adaptou ao profissional ou este não se adaptou ao clube. A verdade é que a pura e simples contratação de um CEO, como também de outros profissionais remunerados, não se caracteriza como profissionalização. É preciso muito mais. É preciso alterar o modelo.
Conceitualmente, adoção das melhores práticas de Governança contribuiria para o aumento da amplitude e da velocidade com que a reestruturação e a profissionalização da gestão dos clubes ocorreriam, levando a diminuição dos problemas administrativos e a maior credibilidade do mercado investidor.
O grande desafio é escolher a melhor forma de implantar este novo modelo, baseado nas melhores práticas. Neste momento, outra ferramenta de suma importância na administração de qualquer organização, se torna peça fundamental – o Planejamento Estratégico. Destaca-se que a estrutura de Governança Corporativa depende das leis, regulamentos, estatutos e do ambiente institucional, mas é no planejamento que encontraremos a melhor forma de aplicá-la. Com o planejamento, não somente teremos condições de avaliar cenários, abordar pontos fortes e fracos, as oportunidades e as ameaças, mas também buscaremos o comprometimento da alta direção e dos demais órgãos, como Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal, entre outros.
O maior desafio, no entanto, não é elaborar o PE, mas sim executá-lo, acompanhando o andamento e correção de suas ações, seus indicadores, se for o caso, promovermos os eventuais ajustes. Esquecê-lo, ou guardá-lo em uma gaveta, servirá apenas para aumentar o descrédito no sucesso das mudanças e manter o status amador da administração. Falar de planejamento estratégico é muito amplo e talvez mereça um novo artigo. Até mesmo porque andamos meio sem notícias a respeito do planejamento de nosso clube. Será que está sendo seguido? Como estão seus indicadores?
Promover o verdadeiro choque de gestão nos clubes de futebol não é tarefa simples, mas nem por isso deve ser adiada. Encontrar soluções integradas de planejamento, estrutura e de tecnologia é fundamental para manter e alcançar novos, e ainda melhores resultados. Menosprezar a questão que envolve a gestão profissional, as melhores práticas de Governança Corporativa e o Planejamento Estratégico, significa o risco de fracasso no meio do caminho, ou de simplesmente – A bola não entrar!
Administrador de Empresas
Conselheiro do Sport Club Internacional desde 2002
Que o futebol brasileiro carece de uma administração mais profissional, a maioria já sabe. Aliás, este é um dos pilares do Plano de Gestão do Convergência – Clube Democrático, Gestão Profissional e Futebol Campeão. Mesmo que na teoria exista um consenso quanto à necessidade de profissionalização dos clubes, o que vemos na prática ainda está muito distante da verdadeira gestão profissional, baseada nas melhores práticas de Governança Corporativa.
Governança Corporativa é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas e monitoradas, envolvendo os relacionamentos entre proprietários, Conselho de Administração, Diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de Governança Corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de aumentar o valor da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para sua preservação. São básicos ainda, os aspectos relacionados à transparência, a equidade, a prestação de contas e a responsabilidade.
O futebol brasileiro vem mudando nos últimos anos. Não raro encontramos clubes com orçamentos superiores a 250 milhões de reais anuais. E a tendência é aumentar ainda mais, com os novos contratos de TV, com os novos patrocínios e com a proximidade da Copa do Mundo em nosso país. Como se manter competitivo no mercado da bola em franca expansão? Já dizia Ferran Soriano, o homem que transformou o Barcelona, que “A bola não entra por acaso”.
Os clubes deveriam ser administrados como empresas. Os sócios e torcedores deveriam ser encarados como clientes. Entretanto, a realidade econômica financeira, a pressão por vitórias no campo e muitas vezes a má gestão, têm acarretado aos clubes um descrédito muito grande. Este não é o caso do Internacional. Os avanços são notórios e os resultados obtidos são evidentes, tanto dentro como fora dos gramados. Mas, para que estas conquistas continuem, é preciso avançar. Ano passado nosso presidente tomou a iniciativa de contratar um CEO. O profissional, de reconhecida competência, trabalhou por poucos meses e pediu demissão. Não se sabe se o clube não se adaptou ao profissional ou este não se adaptou ao clube. A verdade é que a pura e simples contratação de um CEO, como também de outros profissionais remunerados, não se caracteriza como profissionalização. É preciso muito mais. É preciso alterar o modelo.
Conceitualmente, adoção das melhores práticas de Governança contribuiria para o aumento da amplitude e da velocidade com que a reestruturação e a profissionalização da gestão dos clubes ocorreriam, levando a diminuição dos problemas administrativos e a maior credibilidade do mercado investidor.
O grande desafio é escolher a melhor forma de implantar este novo modelo, baseado nas melhores práticas. Neste momento, outra ferramenta de suma importância na administração de qualquer organização, se torna peça fundamental – o Planejamento Estratégico. Destaca-se que a estrutura de Governança Corporativa depende das leis, regulamentos, estatutos e do ambiente institucional, mas é no planejamento que encontraremos a melhor forma de aplicá-la. Com o planejamento, não somente teremos condições de avaliar cenários, abordar pontos fortes e fracos, as oportunidades e as ameaças, mas também buscaremos o comprometimento da alta direção e dos demais órgãos, como Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal, entre outros.
O maior desafio, no entanto, não é elaborar o PE, mas sim executá-lo, acompanhando o andamento e correção de suas ações, seus indicadores, se for o caso, promovermos os eventuais ajustes. Esquecê-lo, ou guardá-lo em uma gaveta, servirá apenas para aumentar o descrédito no sucesso das mudanças e manter o status amador da administração. Falar de planejamento estratégico é muito amplo e talvez mereça um novo artigo. Até mesmo porque andamos meio sem notícias a respeito do planejamento de nosso clube. Será que está sendo seguido? Como estão seus indicadores?
Promover o verdadeiro choque de gestão nos clubes de futebol não é tarefa simples, mas nem por isso deve ser adiada. Encontrar soluções integradas de planejamento, estrutura e de tecnologia é fundamental para manter e alcançar novos, e ainda melhores resultados. Menosprezar a questão que envolve a gestão profissional, as melhores práticas de Governança Corporativa e o Planejamento Estratégico, significa o risco de fracasso no meio do caminho, ou de simplesmente – A bola não entrar!

1 comentários:
Ótimo texto, Luiz Henrique.
Diversos problemas de legitimidade, transparência, gestão e profissionalização que o Inter enfrenta, não são diferentes daqueles que ocorrem com diversas empresas quando atingem determinado patamar.
Sem governança, podemos perder décadas com achismos e amadorismo; com boas práticas de governança podemos avançar anos na frente dos concorrentes.
Abraço,
Guilherme Mallet
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